sexta-feira, 11 de fevereiro de 2011

Quase velha infância

Acho que quase todos que têm algum contato comigo sabem que meu pai tem uma mercearia e que eu sou a funcionária sem carteira assinada dele. rs E num desses últimos dias das minhas férias que infelizmente mais uma vez não aproveitei, estava eu sentada "confortavelmente" no meu tamborete conversando com alguém que realmente não me lembro e chega um moleque moreninho (só quis especificar, não que isso importe) interrompendo quem sabe meu monólogo e com a cara de pestinha querendo se passar por anjo para conseguir o que quer, disse:
- Ei (saiu quase numa súplica), tem uma caixa pra me dar?
E incrivelmente um dia antes chegou os produtos e eu quem pra variar arrumei as coisas e guardei as caixas que prestariam depois pra pôr feira porque as demais damos ao filho da vizinha que - ainda bem que existem pessoas que ajudam o meio ambiente - é catador de lixo.
- Que tamanho mais ou menos?
- É... Pequena mesmo.
Fui pro depósito debaixo das escadas e a primeira caixa que vi foi a de água sanitária brilux. Geralmente caixas de sabão ou derivados não usamos para feira, por pegar cheiro. Mas aquela ainda seria útil. Não ligando pra isso, peguei-a.
- Essa tá boa? Serve?
E quase que eu perguntava pra que era. Pra procurar a melhor caixa que pudesse pra ajudar. Mesmo que eu não reconheci o garoto, podendo ser um dos moleques que ficam correndo pela minha rua, fazendo zoada, jogando pedras, etc. Eu simplesmente perguntei se servia e no mais, ele disse:
- Serve.
Entreguei.
- "Brigado". - Embora num baixo sussurro, mas estava de fato atenta pra saber se ele agradeceria por ela. E sim, ele depois de ter dito, pegou a caixa e talvez atravessou a rua correndo. Essa parte também não me lembro direito.
Alguns minutos depois, ao olhar pro outro lado da rua, quase embaixo de um pé de árvore vi o moleque com mais alguns outros - não contei e não prestei atenção a esse detalhe - com a caixa na cabeça. Brincando de quê? De "boi". E dançava, mexia a cabeça, o corpo, ia pra cima de outro menino. Instantaneamente eu não me arrependi de ter dado a caixa. Eis o motivo: Se fosse meu pai por conhecer mais dos podres dos garotos que ficam por aqui, do jeito que ele também é muito delicado, talvez não desse mesmo. Diria que não tinha. Eu dei a caixa e nem achava que fosse pra isso, mas ao vê-lo brincando e a felicidade dele por ter conseguido a caixa além de sua coragem em vir aqui em casa e pedir... Me alegrei.
E foi nessa hora que pude perceber por "experiência própria" que não é preciso brinquedos caros, passeios, viagens e playstation's da vida para fazer uma criança feliz. Foi na simplicidade do que ele queria e conseguiu que ele viveu ali o que tantas não só crianças, mas pessoas não aproveitam quando tem, não dão valor. Tornam-se egoístas, mesquinhas e ainda assim não conseguem ter bons e marcantes momentos pra viver e relembrar. Pelo menos naquela simplicidade e inocência dele, não. Temos que agradecer pelo que temos e não nos lamentar pelo que não temos. E esse moleque que nem sei o nome, filho de quem e muito menos se reconhecerei ele mais tarde, me mostrou isso.

PS: Como eu não achei como eu queria no Google minha Ex ex-melhor amiga editou pra mim a foto. Thanks, Mandy. *-*

5 comentários:

Anônimo disse...

*_____________________________*

Sheyla disse...

Cara, é muito boa essa sensação de fazer uma criança feliz mesmo viu?
E só de saber que não foi preciso dar o novo X-men que saiu nas lojas pra fazer ele feliz deve ser ótimo!
Juro que quando comecei a ler e vi q o menino pediu uma caixa, achei q ele ia colocar uma pedra embaixo e mandar alguem chutar como fizeram com um menino da minha rua, coitado quebrou a perna! :(
kkkkk
ficou lindo o texto!

Pimentel disse...

São essas pequenas coisas que fazem o próximo mais feliz. Juro que qndo comecei a ler tb pensei que fosse pra alguma malinagem mas quando cheguei no verdadeiro motivo me emocionei. bjsm

Jessica disse...

Nos dias atuais essa é uma cena dificil de ser vista, e deve ser por isso que seja tão linda.

Larissa Galdino disse...

A infância, aquela velha infância ainda existe. Me senti feliz ao saber disso.